
A condromalácia é uma alteração caracterizada pelo amolecimento e pela deterioração da cartilagem articular. O termo é frequentemente associado à condromalácia patelar, condição que compromete a cartilagem localizada entre a patela e o fêmur, na região do joelho.
Embora a condromalácia não seja uma doença da coluna vertebral, alterações nos joelhos podem modificar a maneira de caminhar, ficar em pé e distribuir o peso corporal. Por esse motivo, algumas pessoas podem desenvolver compensações posturais capazes de aumentar a sobrecarga sobre a coluna, especialmente quando há dor persistente ou limitação de movimento.
Entender essa relação é importante para buscar um tratamento adequado e evitar que um problema localizado no joelho interfira em outras regiões do sistema musculoesquelético. Leia mais!

A cartilagem articular funciona como uma superfície de baixo atrito que facilita o movimento entre os ossos e ajuda a distribuir as cargas impostas às articulações.
Na condromalácia patelar, ocorre alteração da cartilagem situada na face posterior da patela. O quadro pode estar relacionado a fatores como desalinhamento da patela, sobrecarga repetitiva, alterações biomecânicas, fraqueza muscular, traumas e determinadas características anatômicas. Entre os sintomas que podem estar presentes estão:
A intensidade dos sintomas varia de uma pessoa para outra e nem sempre corresponde diretamente ao grau de alteração encontrado nos exames de imagem.
A relação entre condromalácia e coluna ocorre principalmente de maneira indireta. Quando existe dor no joelho, o organismo pode modificar determinados padrões de movimento para diminuir o desconforto.
Uma pessoa pode, por exemplo, passar a apoiar mais o peso em uma das pernas, reduzir a flexão de um joelho ou mudar a forma de caminhar. Essas adaptações podem alterar a distribuição das cargas entre tornozelos, joelhos, quadris, pelve e coluna.
Quando persistentes, essas compensações podem contribuir para tensão muscular e sobrecarga mecânica, principalmente na região lombar.
Isso não significa, entretanto, que toda pessoa com condromalácia desenvolverá dor na coluna. A presença de sintomas depende de diversos fatores, como força muscular, mobilidade, nível de atividade física, peso corporal, histórico de lesões e existência de outros problemas musculoesqueléticos.
É possível que um problema no joelho esteja associado a alterações biomecânicas que repercutam na região lombar, mas dor lombar possui inúmeras causas. Portanto, não é adequado atribuir automaticamente uma dor nas costas à condromalácia.
Quando o paciente modifica a marcha por causa da dor, pode haver mudanças na movimentação da pelve e dos quadris. Em alguns casos, isso aumenta o esforço de determinados grupos musculares e pode favorecer desconforto lombar.
Por isso, uma avaliação completa deve considerar não apenas o joelho, mas toda a cadeia de movimento dos membros inferiores e da coluna.
O tratamento depende dos sintomas, das características individuais e da causa predominante do problema. Na maioria dos casos, inicialmente são consideradas medidas conservadoras.
A fisioterapia para condromalácia costuma ocupar papel importante no tratamento. O objetivo não é apenas trabalhar o joelho isoladamente, mas melhorar a função do membro inferior como um todo.
O programa pode envolver fortalecimento dos músculos do quadril e da coxa, exercícios de controle motor, ganho de mobilidade quando necessário e correção de padrões de movimento que estejam aumentando a sobrecarga da articulação. Quando também existe dor nas costas, o profissional pode avaliar mobilidade, força e controle do tronco e da região lombopélvica.
Interromper toda atividade física por longos períodos nem sempre é a melhor estratégia. Dependendo do caso, pode ser mais apropriado adaptar temporariamente os exercícios e controlar a carga sobre o joelho.
Atividades que provocam dor importante ou piora persistente dos sintomas precisam ser avaliadas. Posteriormente, exercícios podem ser reintroduzidos de maneira progressiva conforme a tolerância e a evolução clínica. O tipo, a intensidade e a frequência dos exercícios devem ser individualizados.
Em algumas situações, o médico pode recomendar medicamentos para controlar dor e inflamação associada. Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados em determinados pacientes, considerando contraindicações, outras doenças e possíveis interações medicamentosas. A automedicação, especialmente com anti-inflamatórios por períodos prolongados, deve ser evitada.
Modificar temporariamente atividades que agravam os sintomas pode contribuir para a recuperação. Isso pode incluir ajustes na intensidade dos treinos, volume de corrida, frequência de agachamentos ou outras tarefas que aumentem repetidamente a carga sobre a articulação patelofemoral.
O objetivo geralmente não é abandonar permanentemente essas atividades, mas encontrar um nível de carga que o organismo consiga tolerar enquanto ocorre a reabilitação.
A cirurgia não é necessária para a maioria dos casos de dor patelofemoral ou alterações da cartilagem. Ela pode ser considerada em situações específicas, principalmente quando existem alterações estruturais relevantes e os sintomas persistem apesar de um tratamento conservador adequadamente conduzido. A indicação deve ser feita por um ortopedista após avaliação clínica individualizada.
Nem sempre. Se não existem sintomas ou alterações funcionais na coluna, não há necessariamente um problema lombar a ser tratado.
Por outro lado, quando o paciente apresenta simultaneamente dor no joelho, alterações da marcha, desconforto no quadril ou dor lombar, uma avaliação integrada pode ser útil.
Em vez de analisar somente o local da dor, o profissional pode observar como tornozelos, joelhos, quadris, pelve e coluna trabalham durante atividades como caminhar, correr, subir escadas ou agachar.
Essa abordagem ajuda a identificar quais fatores realmente estão contribuindo para os sintomas.
Algumas medidas podem ajudar a manter uma boa capacidade funcional durante o tratamento:
Não existe uma única postura ou exercício capaz de prevenir todos os problemas. A estratégia deve considerar as características e necessidades de cada pessoa.
É recomendável procurar avaliação médica ou fisioterapêutica quando a dor no joelho é persistente, limita atividades diárias ou esportivas, piora progressivamente ou vem acompanhada de sintomas em outras regiões, como quadril e coluna.
Também é importante buscar atendimento diante de inchaço importante, incapacidade de apoiar o peso sobre a perna, travamento do joelho ou sintomas que surgiram após um trauma relevante.
A principal relação está na biomecânica do movimento. A condromalácia patelar afeta diretamente o joelho, e não a coluna. Entretanto, dor e limitação no joelho podem levar a adaptações na marcha e na distribuição das cargas corporais.
Quando essas compensações são significativas e persistentes, quadris, pelve e coluna podem receber cargas diferentes dos habituais, favorecendo desconforto em algumas pessoas.
Por isso, o tratamento deve considerar a origem dos sintomas e, quando necessário, avaliar o corpo de maneira integrada. Fisioterapia, fortalecimento muscular, gerenciamento adequado das cargas e acompanhamento médico estão entre as principais possibilidades de tratamento.
O Dr. Henrique Noronha é ortopedista, especialista em intervenção da dor. Atua com técnicas minimamente invasivas para aliviar a dor, recuperar função e melhorar a qualidade de vida de quem convive com problemas relacionados a ortopedia.