
A artrose no joelho é uma causa comum de dor e dificuldade para caminhar, praticar exercícios e realizar atividades do dia a dia. A doença não envolve apenas o desgaste da cartilagem, mas diferentes estruturas da articulação.
Hoje, o tratamento inclui desde exercícios e fortalecimento muscular até infiltrações, PRP, procedimentos para controle da dor e cirurgias. Nem todo paciente precisa de cirurgia: a melhor opção depende do grau da artrose, intensidade dos sintomas, idade, nível de atividade, alinhamento do joelho e resposta aos tratamentos anteriores. Continue lendo este texto para saber mais!
A artrose pode evoluir lentamente. No início, a dor costuma aparecer principalmente depois de caminhadas mais longas, exercícios ou esforços. Conforme a doença progride, os sintomas podem se tornar mais frequentes. Entre os principais estão:
É importante destacar que o grau de artrose observado na radiografia nem sempre corresponde à intensidade dos sintomas. Algumas pessoas apresentam alterações importantes nos exames e pouca dor, enquanto outras têm grande limitação mesmo com alterações radiográficas menores. Por isso, o tratamento deve ser direcionado ao paciente, e não apenas à imagem do exame.
Ainda não existe um tratamento capaz de reverter completamente uma artrose estabelecida e fazer a articulação voltar ao seu estado original. Isso, porém, é diferente de dizer que a artrose não tem tratamento.
Hoje é possível controlar a dor, melhorar a função do joelho e manter uma vida ativa por muitos anos. Em alguns pacientes, o tratamento adequado também pode permitir adiar uma cirurgia.
O objetivo atual não é simplesmente “tratar uma radiografia”, mas recuperar qualidade de vida e capacidade funcional.
Exercício e fortalecimento muscular
O fortalecimento é um dos principais pilares do tratamento. Músculos fortes, especialmente quadríceps e glúteos, ajudam a controlar as cargas sobre o joelho, reduzir sintomas e melhorar a função.
Musculação, bicicleta, caminhada, exercícios aquáticos, fisioterapia e treino de equilíbrio e mobilidade podem fazer parte do programa. Ter artrose não significa parar de usar o joelho: na maioria dos casos, manter-se ativo faz parte do tratamento, sempre respeitando a condição de cada paciente.
Controle do peso
Quando há excesso de peso, sua redução pode diminuir a sobrecarga sobre o joelho. Além do aspecto mecânico, obesidade e artrose também apresentam relações metabólicas e inflamatórias. Por isso, atividade física associada a uma estratégia nutricional adequada pode contribuir para melhores resultados.
Medicamentos
Analgésicos e anti-inflamatórios podem ajudar nos períodos de maior dor, mas seu uso frequente exige cuidado, principalmente em pessoas com problemas renais, cardiovasculares ou gastrointestinais. Esses medicamentos atuam principalmente nos sintomas e não corrigem as alterações estruturais da articulação. Por isso, o objetivo é evitar a dependência exclusiva de remédios.
Infiltrações no joelho
As infiltrações aplicam substâncias diretamente na articulação. O corticoide pode ser usado para controlar dor associada à inflamação, geralmente com efeito mais voltado ao curto prazo.
Outra opção é o ácido hialurônico, conhecido como viscossuplementação, que pode melhorar dor e mobilidade em alguns pacientes. Nos últimos anos, o PRP (plasma rico em plaquetas) também ganhou destaque como uma das opções estudadas para o tratamento da artrose.
O PRP (plasma rico em plaquetas) é uma terapia biológica produzida a partir do próprio sangue do paciente. Após a coleta, o sangue passa por um processo de centrifugação para obter uma preparação com maior concentração de plaquetas, que posteriormente é aplicada no joelho.
As plaquetas liberam mediadores e fatores de crescimento envolvidos em processos de reparo e sinalização celular. Por esse motivo, o PRP vem sendo estudado como uma opção para modular o ambiente inflamatório da articulação, reduzir sintomas e melhorar a função.
No Brasil, a Resolução CFM nº 2.464/2026 regulamentou o uso do PRP como procedimento médico adjuvante no tratamento da osteoartrite do joelho. A norma determina que sua indicação seja individualizada e reforça que o PRP não substitui outros tratamentos clínicos, de reabilitação, intervencionistas ou cirúrgicos quando indicados.
Estudos clínicos e revisões científicas vêm demonstrando resultados promissores do PRP, principalmente em pacientes com artrose leve a moderada. Entre os possíveis benefícios estão:
Uma vantagem importante é que o PRP é um produto autólogo, ou seja, produzido a partir do sangue do próprio paciente. Além do controle dos sintomas, seu interesse está relacionado à possibilidade de atuar biologicamente no ambiente articular.
As evidências sugerem que pacientes bem selecionados podem apresentar melhora da dor e da função. Esse reconhecimento também se reflete na Resolução CFM nº 2.464/2026, que regulamentou o PRP como procedimento médico adjuvante para a osteoartrite do joelho, estabelecendo critérios para sua indicação e utilização.
A resposta ao PRP varia entre os pacientes, sendo geralmente considerado em casos de artrose leve a moderada, principalmente para controle dos sintomas e manutenção das atividades. Em quadros muito avançados, com deformidades importantes, os resultados podem ser mais limitados. Além disso, existem diferentes formas de preparo e aplicação do PRP, por isso a indicação e o protocolo devem ser individualizados.
Células-tronco e tratamentos regenerativos: As terapias regenerativas vêm sendo estudadas, mas é preciso cautela com promessas de “regenerar a cartilagem” ou “curar a artrose”. Muitas dessas estratégias ainda necessitam de maior padronização e evidências de longo prazo.
Radiofrequência para dor no joelho: Em pacientes selecionados com dor persistente, a radiofrequência dos nervos geniculares pode ajudar no controle da dor e na melhora da função. O procedimento, porém, não trata diretamente a cartilagem, mas atua sobre nervos envolvidos na transmissão da dor.
Nem todo paciente com artrose precisa operar. A cirurgia costuma ser considerada quando a doença provoca dor e limitação importantes e os tratamentos conservadores deixam de oferecer resultados satisfatórios.
Em situações específicas, principalmente quando existe alteração do alinhamento do membro, pode ser indicada uma osteotomia, que modifica a distribuição das cargas sobre o joelho.
Nos casos mais avançados, pode ser necessária uma prótese de joelho. Dependendo de quais regiões da articulação estão comprometidas, é possível realizar uma prótese parcial ou total.
A decisão de operar não deve depender apenas da radiografia. A intensidade dos sintomas, perda de mobilidade, dificuldade para atividades cotidianas e impacto sobre a qualidade de vida também precisam ser considerados.
Não existe uma única resposta.
Hoje, o tratamento da artrose é cada vez mais personalizado. Em vez de utilizar uma única estratégia, frequentemente são combinados fortalecimento muscular, atividade física, controle do peso, medicamentos quando necessários e procedimentos como infiltrações.
Entre as terapias biológicas, o PRP se destaca como uma alternativa interessante, principalmente para pacientes com artrose leve a moderada e indicação adequada.
Nos casos avançados, entretanto, insistir indefinidamente em tratamentos conservadores nem sempre é a melhor escolha. Quando a dor e a perda funcional são importantes, a cirurgia pode proporcionar resultados muito superiores.
O principal avanço no tratamento da artrose talvez não seja um único procedimento, mas a capacidade de escolher o tratamento certo para cada paciente e para cada estágio da doença.
O Dr. Henrique Noronha é ortopedista, especialista em intervenção da dor. Atua com técnicas minimamente invasivas para aliviar a dor, recuperar função e melhorar a qualidade de vida de quem convive com problemas relacionados a ortopedia.