
A entorse de tornozelo é uma das lesões ortopédicas mais comuns e pode acontecer com qualquer pessoa, embora seja mais frequente em praticantes de atividades físicas. A lesão ocorre quando os ligamentos responsáveis pela estabilidade da articulação sofrem um estiramento excessivo ou uma ruptura parcial ou completa, geralmente após uma torção brusca do pé.
Embora muitas pessoas considerem a entorse uma lesão simples, o tratamento adequado é fundamental para evitar dor persistente, instabilidade e novos episódios de torção. Entender os sintomas, o tratamento e o tempo de recuperação ajudam a garantir um retorno seguro às atividades do dia a dia e à prática esportiva. Saiba mais neste artigo!

A entorse acontece quando o tornozelo é submetido a um movimento além da sua amplitude normal, provocando lesão nos ligamentos que estabilizam a articulação. Na maioria dos casos, a torção ocorre para dentro, comprometendo os ligamentos localizados na parte externa do tornozelo.
Dependendo da intensidade do trauma, além dos ligamentos, estruturas como tendões, cartilagens e até mesmo os ossos podem ser afetados, tornando necessária uma avaliação médica para descartar lesões associadas.
As situações mais comuns que levam a esse tipo de lesão incluem:
Pessoas que já sofreram uma entorse anteriormente também apresentam maior risco de desenvolver novas lesões devido à diminuição da estabilidade da articulação.
Os sintomas variam conforme a gravidade da lesão. Os sinais mais frequentes incluem dor imediata após a torção, inchaço, dificuldade para caminhar, hematomas, limitação dos movimentos e sensação de instabilidade no tornozelo.
Nos casos mais leves, o paciente consegue apoiar parcialmente o pé, mesmo com desconforto. Já nas lesões moderadas ou graves, caminhar pode ser extremamente doloroso ou até impossível, sendo importante procurar atendimento médico para descartar fraturas e outras lesões.
A gravidade da lesão costuma ser dividida em três graus.
Na entorse de grau I, ocorre apenas um estiramento dos ligamentos. A dor costuma ser leve, há pequeno inchaço e pouca perda da estabilidade.
Na entorse de grau II, existe uma ruptura parcial dos ligamentos, provocando dor mais intensa, edema significativo, hematomas e dificuldade para apoiar o pé.
Já a entorse de grau III corresponde à ruptura completa dos ligamentos, causando importante instabilidade da articulação. Em alguns casos, pode haver necessidade de tratamento cirúrgico, especialmente quando existem lesões associadas ou instabilidade persistente.
O diagnóstico é realizado por um médico ortopedista por meio da avaliação clínica, do histórico da lesão e do exame físico.
Quando há suspeita de fratura ou de lesões mais complexas, podem ser solicitados exames de imagem, como radiografia, ultrassonografia ou ressonância magnética. Esses exames ajudam a identificar a extensão da lesão e definir o tratamento mais adequado.
O tratamento depende da gravidade da lesão, mas a maioria dos pacientes apresenta boa recuperação sem necessidade de cirurgia.
Nas primeiras 48 horas, recomenda-se repouso relativo, aplicação de gelo por cerca de 15 a 20 minutos várias vezes ao dia, compressão com faixa elástica e elevação da perna acima do nível do coração. Essas medidas ajudam a controlar a dor e reduzir o inchaço.
Quando necessário, o médico pode prescrever analgésicos ou anti-inflamatórios para aliviar os sintomas. A automedicação deve ser evitada, pois alguns medicamentos apresentam contraindicações e efeitos adversos.
Nas lesões moderadas e graves, pode ser indicada a utilização de tornozeleiras, botas imobilizadoras ou talas por um período determinado, permitindo a cicatrização adequada dos ligamentos.
A fisioterapia representa uma das etapas mais importantes da recuperação. O tratamento fisioterapêutico contribui para reduzir a dor, recuperar a mobilidade, fortalecer a musculatura, melhorar o equilíbrio e restaurar a propriocepção — capacidade do corpo de reconhecer a posição das articulações. Essa reabilitação diminui significativamente o risco de novas entorses e favorece um retorno mais seguro às atividades.
A cirurgia é reservada para situações específicas, como rupturas ligamentares completas com instabilidade importante, lesões associadas ou casos de instabilidade crônica que não melhoram com o tratamento conservador.
O tempo de recuperação varia conforme a gravidade da lesão.
As entorses de grau I costumam evoluir bem entre uma e três semanas. As lesões de grau II normalmente exigem quatro a oito semanas de tratamento. Já as entorses de grau III podem levar de oito a doze semanas ou até mais, especialmente quando existe necessidade de cirurgia ou de uma reabilitação prolongada.
O retorno às atividades físicas não deve ser baseado apenas na ausência de dor. É importante que o paciente recupere completamente a força muscular, a mobilidade, o equilíbrio e a estabilidade do tornozelo antes de voltar aos esportes, reduzindo o risco de novas lesões.
A possibilidade de caminhar depende diretamente da gravidade da entorse. Nos casos leves, geralmente é possível apoiar o pé com algum desconforto, respeitando os limites da dor. Nas lesões moderadas e graves, o apoio costuma ser bastante doloroso e pode ser necessário o uso temporário de dispositivos de imobilização ou auxílio para locomoção.
Durante a fase inicial da recuperação, a aplicação de gelo continua sendo a medida mais indicada para controlar o processo inflamatório e diminuir o inchaço. Compressas quentes normalmente são utilizadas apenas em fases posteriores da reabilitação e sempre conforme orientação profissional.
Embora nem toda entorse exija um programa completo de fisioterapia, muitos pacientes se beneficiam desse tratamento, especialmente quando a lesão é moderada, grave ou recorrente. Além de acelerar a recuperação funcional, a fisioterapia reduz significativamente as chances de instabilidade crônica e de novas torções.
Quando a reabilitação não é realizada adequadamente, podem surgir sequelas como dor persistente, sensação de falseio, limitação funcional e episódios repetidos de entorse, comprometendo a qualidade de vida e a prática esportiva.
Após uma entorse, é fundamental investir em medidas preventivas para diminuir o risco de recorrência. O fortalecimento da musculatura da perna e do tornozelo, associado a exercícios de equilíbrio e propriocepção, melhora a estabilidade da articulação. Também é importante utilizar calçados adequados, realizar aquecimento antes das atividades físicas e ter atenção ao caminhar ou correr em terrenos irregulares.
Em alguns atletas ou pessoas com histórico de entorses repetidas, o uso de tornozeleiras pode ser recomendado durante a prática esportiva como medida adicional de proteção.
A entorse de tornozelo é uma lesão frequente, mas que apresenta excelente prognóstico quando diagnosticada precocemente e tratada de forma adequada. O controle inicial da dor e do inchaço, aliado à reabilitação fisioterapêutica e ao retorno gradual às atividades, favorece uma recuperação completa e reduz significativamente o risco de complicações. Diante de dor intensa, dificuldade para apoiar o pé, deformidade ou inchaço importante após uma torção, a avaliação médica é indispensável para excluir fraturas e definir o tratamento mais apropriado para cada caso.
O Dr. Henrique Noronha é ortopedista, especialista em cirurgia da coluna e intervenção da dor. Atua com técnicas minimamente invasivas para aliviar a dor, recuperar função e melhorar a qualidade de vida de quem convive com problemas relacionados a ortopedia.