

A escoliose do adulto é uma condição mais comum do que se imagina e pode afetar significativamente a qualidade de vida. Embora muitas pessoas associem a escoliose à infância e adolescência, ela também pode surgir, ou se agravar na fase adulta.
Neste artigo, você vai entender o que é, quais são as causas, sintomas, tratamentos e quando procurar ajuda médica. Por isso, continue lendo!

A escoliose do adulto é uma curvatura anormal da coluna vertebral que aparece ou piora após os 18 anos. Essa curva pode assumir o formato de “C” ou “S” e pode ocorrer em qualquer região da coluna (torácica, lombar ou toracolombar).
Existem dois tipos principais:
Todos os principais tipos de escoliose incluem:
Escoliose idiopática: A escoliose idiopática é uma curvatura da coluna sem causa definida, geralmente iniciada na adolescência. O tratamento busca manter a postura equilibrada, reduzir desconfortos e evitar progressão. Exercícios específicos, fortalecimento do core e técnicas posturais ajudam a melhorar a estabilidade da coluna e a qualidade de vida, especialmente na fase adulta.
Escoliose degenerativa: A escoliose degenerativa surge na vida adulta devido ao desgaste dos discos e articulações da coluna. Costuma causar dor e rigidez. O tratamento envolve fisioterapia para aliviar a dor, melhorar a mobilidade e fortalecer a musculatura de sustentação. Com exercícios e cuidados, é possível reduzir sintomas e manter melhor funcionalidade no dia a dia.
Escoliose congênita: A escoliose congênita ocorre devido a alterações na formação das vértebras ainda na gestação. Ela costuma aparecer cedo e pode progredir rapidamente. O tratamento busca corrigir ou controlar a deformidade para evitar impacto no crescimento, usando acompanhamento especializado, exercícios e, em alguns casos, cirurgia precoce para estabilizar a coluna.
Escoliose neuromuscular: A escoliose neuromuscular surge em pessoas com condições que afetam músculos ou nervos, como paralisia cerebral ou distrofias. As curvas tendem a ser mais rígidas e progressivas. O tratamento foca em melhorar postura, conforto e função, com fisioterapia para fortalecimento, mobilidade e suporte respiratório; casos graves podem exigir cirurgia para estabilização.
A condição pode se desenvolver por diversos fatores, como:
– Envelhecimento natural da coluna;
– Osteoartrite;
– Degeneração dos discos intervertebrais;
– Osteoporose;
– Fraturas vertebrais;
– Alterações musculares;
– Escoliose pré-existente não tratada.
Em muitos casos, o desgaste progressivo leva a desequilíbrios estruturais que resultam na curvatura.
Os sintomas variam conforme o grau da curvatura e o nível de compressão nervosa. Os mais comuns incluem:
A dor é o sintoma que mais leva adultos a procurar tratamento.
O diagnóstico da escoliose do adulto envolve:
Exame Físico: O exame físico é uma etapa fundamental no diagnóstico da escoliose, complementando os exames de imagem. Ele permite identificar assimetrias, avaliar a mobilidade, entender os impactos funcionais e detectar sinais de progressão ou complicações.
Radiografia da coluna (Raio-X): É o principal exame para diagnosticar a escoliose. Mostra o alinhamento da coluna em pé e permite medir o ângulo de Cobb, que determina o grau da curva. Também ajuda a identificar rotação das vértebras e avaliar se a curva está progredindo.
Ressonância Magnética (RM): Usada quando há dor intensa, sintomas neurológicos (formigamento, fraqueza, perda de sensibilidade) ou suspeita de lesões associadas. A RM permite analisar discos, nervos, medula espinhal e tecidos moles, ajudando a descartar causas secundárias ou complicações.
Tomografia Computadorizada (TC): Indicada para avaliar detalhes ósseos, como vértebras malformadas, artrose avançada, estenose de canal ou planejamento cirúrgico. Mostra com precisão articulações facetárias, fraturas e deformidades mais complexas.
A partir disso, o especialista identifica o grau da curva (medido pelo ângulo de Cobb) e o melhor tipo de tratamento.
O tratamento da escoliose do adulto é individualizado e depende de fatores como o grau da curvatura, intensidade da dor, presença de compressão nervosa, impacto na qualidade de vida e condições gerais de saúde do paciente. De forma geral, o objetivo é reduzir sintomas, melhorar a função e impedir a progressão da curva.
A fisioterapia é a base do tratamento da escoliose do adulto. Ela ajuda a reduzir a dor, melhorar a mobilidade e fortalecer os músculos que sustentam a coluna. Exercícios, fortalecimento do core e técnicas manuais são usados para aumentar a estabilidade e corrigir desequilíbrios musculares, proporcionando mais conforto e qualidade de vida.
Os medicamentos auxiliam no controle da dor e da inflamação, mas não tratam diretamente a curvatura. Analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares podem ser recomendados para aliviar crises e permitir que o paciente participe melhor da fisioterapia e das atividades diárias.
As infiltrações são indicadas quando a dor é intensa e está relacionada à inflamação das articulações ou compressão nervosa. Elas ajudam a reduzir a dor rapidamente, oferecendo alívio temporário e facilitando a reabilitação, principalmente em casos de dor irradiada para as pernas.
O uso de coletes e suportes é limitado em adultos, pois não corrige a curva, mas pode ser útil em períodos curtos para dar estabilidade e reduzir a dor durante crises. É indicado principalmente para pessoas que não podem realizar exercícios intensos ou que apresentam instabilidade importante.
Exercícios específicos, como Pilates clínico e fortalecimento funcional, podem ajudar a melhorar, aumentar a força muscular e reduzir a sobrecarga na coluna. A prática regular é essencial para manter os resultados e evitar progressão da dor.
Em adultos — especialmente mulheres — o tratamento da osteoporose é fundamental para evitar fraturas e impedir o avanço da escoliose. A combinação de medicação, suplementação e exercícios adequados fortalece a estrutura óssea e melhora a estabilidade da coluna.
A cirurgia é indicada apenas quando há dor intensa resistente ao tratamento conservador, compressão nervosa importante ou curvaturas que continuam a piorar. O objetivo é corrigir e estabilizar a coluna, melhorando o alinhamento e reduzindo o impacto funcional na vida do paciente.
– Se houver aumento da dor, fraqueza nas pernas, formigamento ou dificuldade para caminhar — possível compressão nervosa/estenose associada — buscar avaliação.
– Problemas de equilíbrio postural, inclinação para frente, “pitch” corporal para frente (trendelenburg, postura alterada) merecem avaliação especializada.
– Em adultos mais velhos, a qualidade óssea (osteoporose) pode complicar tratamento e prognóstico.
– Evitar negligenciar o tratamento ou acompanhamento — mesmo que os sintomas sejam leves agora, podem piorar.
– Manter estilo de vida: atividade física, peso controlado, musculatura de suporte forte ajudam bastante.
O Dr. Henrique Noronha é ortopedista, especialista em cirurgia da coluna e intervenção da dor. Atua com técnicas minimamente invasivas para aliviar a dor, recuperar função e melhorar a qualidade de vida de quem convive com problemas na coluna.