

A hérnia de disco é uma condição em que o disco intervertebral se desloca ou se rompe, podendo comprimir nervos da coluna. Em muitos casos, o tratamento inicial é conservador (fisioterapia, medicamentos e mudanças de hábito). No entanto, não operar a hérnia de disco quando há indicação cirúrgica pode trazer riscos importantes para a saúde e a qualidade de vida.
Entenda mais sobre a hérnia de disco, os principais riscos de não realizar a cirurgia de hérnia de disco quando ela é recomendada por um especialista e demais fatores sobre esta condição, neste artigo. Boa leitura!

A coluna vertebral é formada por vértebras separadas por discos intervertebrais, que funcionam como amortecedores. A hérnia de disco ocorre quando esse disco sofre um desgaste ou ruptura, fazendo com que seu conteúdo se projete para fora e comprima nervos da coluna. Essa compressão é a principal responsável pelos sintomas dolorosos.
As principais causas da hérnia de disco estão relacionadas ao desgaste natural e a sobrecargas na coluna, como:
– Envelhecimento e degeneração dos discos;
– Movimentos repetitivos e esforços excessivos;
– Sedentarismo e fraqueza muscular;
– Traumas ou acidentes;
– Excesso de peso.
Esses fatores aumentam a pressão sobre os discos e favorecem o surgimento da hérnia.
A hérnia de disco pode ser classificada de acordo com a região da coluna afetada e pelo grau de deslocamento do disco.
Hérnia de disco cervical: ocorre na região do pescoço e pode causar dor cervical, formigamento, dormência e fraqueza nos ombros, braços e mãos.
Hérnia de disco torácica: menos comum, afeta a região média da coluna e pode provocar dor local ou sensação de aperto no tórax.
Hérnia de disco lombar: a mais frequente, atinge a região inferior da coluna e costuma causar dor lombar irradiada para as pernas, conhecida como ciática.
Protrusão discal: o disco se desloca levemente, sem ruptura completa.
Extrusão discal: há ruptura do disco, com maior compressão nervosa.
Sequestro discal: parte do disco se desprende totalmente, podendo causar sintomas mais graves.
Os sintomas variam conforme a região da coluna afetada (cervical, torácica ou lombar), mas os mais comuns são:
Em casos mais avançados, podem surgir alterações neurológicas mais graves.
Na maioria dos casos, o tratamento inicial é conservador, incluindo:
Essas abordagens costumam aliviar os sintomas e evitar a progressão do quadro.
Nem toda hérnia de disco precisa ser operada. A cirurgia costuma ser indicada quando há:
A cirurgia é indicada quando o tratamento conservador não apresenta resultados ou quando há déficit neurológico. As principais opções cirúrgicas incluem:
O tipo de cirurgia depende da localização da hérnia, da gravidade e das condições do paciente. Para receber o diagnóstico adequado e ser direcionado para o tratamento ideal, é necessário buscar um médico especialista em coluna.
Os principais riscos de não operar a hérnia de disco são:
Dor crônica e progressiva: Um dos riscos mais comuns é a persistência ou piora da dor, que pode irradiar para braços ou pernas (como na ciática). Sem o tratamento adequado, a dor pode se tornar crônica, dificultando atividades simples do dia a dia, como caminhar, dormir ou trabalhar.
Perda de força muscular: A compressão contínua dos nervos pode levar à fraqueza muscular progressiva. Isso acontece porque o nervo comprimido deixa de enviar estímulos adequados aos músculos, podendo causar dificuldade para segurar objetos, subir escadas ou manter o equilíbrio.
Dormência e formigamento permanentes: Outro risco de não operar a hérnia de disco é o surgimento de alterações sensoriais, como dormência, queimação ou formigamento. Quando a compressão nervosa é prolongada, essas sensações podem se tornar irreversíveis, mesmo após tratamento tardio.
Lesão nervosa definitiva: Em casos mais graves, a falta de cirurgia pode resultar em danos permanentes aos nervos. Isso significa que, mesmo com uma operação futura, o nervo pode não se recuperar totalmente, deixando sequelas funcionais.
Comprometimento da mobilidade: A progressão da hérnia de disco pode limitar seriamente os movimentos da coluna e dos membros. Com o tempo, o paciente pode apresentar redução significativa da mobilidade, impactando diretamente sua independência e qualidade de vida.
Síndrome da cauda equina (em casos raros): Embora menos frequente, não operar uma hérnia de disco grave pode levar à síndrome da cauda equina, uma emergência médica caracterizada por:
– Perda do controle da urina e das fezes;
– Dormência na região íntima;
– Fraqueza intensa nas pernas.
Nesses casos, a cirurgia tardia pode não reverter totalmente os danos.
O pós-operatório da cirurgia de hérnia de disco é essencial para o sucesso do tratamento. Nos primeiros dias, indica-se repouso relativo, evitando esforços e movimentos bruscos, enquanto o organismo inicia a cicatrização.
O uso correto das medicações prescritas ajuda no controle da dor e da inflamação, proporcionando mais conforto durante a recuperação. Com a melhora dos sintomas, o retorno às atividades deve ser gradual, sempre respeitando os limites do corpo.
A fisioterapia orientada é fundamental para fortalecer a musculatura, melhorar a mobilidade e corrigir a postura. Além disso, evitar peso excessivo, esforços físicos e má postura reduz o risco de recidiva e acelera a recuperação.
A prevenção da hérnia de disco está diretamente relacionada a hábitos saudáveis e cuidados com a coluna. As principais medidas incluem:
– Evitar carregar peso excessivo ou levantar objetos de forma inadequada;
– Praticar atividade física regular, com fortalecimento da musculatura abdominal e lombar;
– Realizar alongamentos frequentes, especialmente para quem passa muito tempo sentado;
– Controlar o peso corporal, reduzindo a sobrecarga na coluna;
– Evitar o sedentarismo e movimentos repetitivos sem orientação;
– Ajustar ergonomicamente o ambiente de trabalho.
Adotar essas medidas ajuda a reduzir o desgaste dos discos intervertebrais, prevenir dores na coluna e diminuir significativamente o risco de desenvolver hérnia de disco.
A hérnia de disco pode ser tratada com sucesso quando diagnosticada precocemente e acompanhada de forma adequada. Conhecer os riscos de não operar, quando a cirurgia é indicada, ajuda a evitar complicações e preservar a qualidade de vida. A avaliação com um especialista é fundamental para definir o melhor tratamento para cada caso.
O Dr. Henrique Noronha é ortopedista, especialista em cirurgia da coluna e intervenção da dor. Atua com técnicas minimamente invasivas para aliviar a dor, recuperar função e melhorar a qualidade de vida de quem convive com problemas na coluna.