

A idade óssea representa o grau de maturação do esqueleto, estimado por meio da análise radiográfica de centros de ossificação. Ao contrário da idade cronológica, que é meramente temporal, a idade óssea reflete o estágio fisiológico do crescimento esquelético, sendo essencial na avaliação de distúrbios do crescimento e puberdade, bem como na definição do momento ideal para intervenções ortopédicas.
Continue lendo este artigo para saber mais sobre a idade óssea, como é feita e quando deve ser avaliada. Boa leitura!

O exame padrão consiste na radiografia da mão e punho esquerdos, com posterior comparação aos atlas de Greulich e Pyle, ou uso da classificação de Tanner-Whitehouse ou Sanders. Estes métodos permitem inferir a idade esquelética a partir da morfologia e grau de ossificação das epífises e metáfises.
Na ortopedia, a escala de Sanders tem se mostrado mais precisa do que Greulich-Pyle para identificar o pico de velocidade de crescimento, sendo atualmente recomendada em protocolos de tratamento de escoliose idiopática.]
Para decisões terapêuticas relacionadas a deformidades vertebrais, os principais métodos empregados são:
• Escala de Risser: baseada na ossificação da apófise ilíaca, variando de 0 (sem ossificação) a 5 (fusão completa). É um preditor clássico de maturidade esquelética, porém com menor sensibilidade na identificação do pico de crescimento.
• Escala de Sanders: classifica a maturação da mão em oito estágios, correlacionando-se com a idade esquelética e com o timing do estirão puberal. O estágio 3-4 corresponde geralmente ao pico de crescimento, sendo crítico para definição de estratégias de contenção (ex. colete) ou cirurgia corretiva.
Ambas as escalas são amplamente utilizadas em estudos clínicos e diretrizes internacionais, como as da Scoliosis Research Society (SRS) e do estudo BrAIST.
A avaliação está indicada nos seguintes contextos:
A divergência entre idade cronológica e óssea pode indicar alterações fisiológicas ou patológicas. Um atraso na idade óssea pode sugerir crescimento residual importante, sendo comum em crianças com atraso constitucional. Já uma idade óssea avançada pode implicar fechamento precoce das fises e risco de baixa estatura final.
Fatores genéticos: história familiar de puberdade tardia ou baixa estatura final influencia diretamente.
Estado nutricional: déficits de cálcio, vitamina D, zinco e proteínas retardam o desenvolvimento esquelético.
Doenças sistêmicas: endocrinopatias, doenças reumatológicas, insuficiência renal crônica, entre outras.
Uso de medicações: corticosteroides, hormônios exógenos, entre outros, podem alterar o ritmo de maturação.
Fatores psicossociais: estresse crônico, baixa renda e atividade física extenuante em atletas jovens podem impactar o crescimento.
A partir da idade óssea, altura atual e altura-alvo (calculada com base na estatura dos pais), pode-se estimar a estatura final prevista. Esse dado é particularmente relevante em decisões terapêuticas em endocrinologia pediátrica, bem como na ortopedia, quando se avalia a progressão de deformidades em pacientes com crescimento residual.

Na ortopedia da coluna, a avaliação da maturação esquelética por Risser e Sanders é fundamental para decisões terapêuticas, especialmente no manejo da escoliose idiopática. Métodos como o CVM, com base em vértebras cervicais, são restritos à ortodontia e não devem ser utilizados como parâmetro decisório em ortopedia.
A correta interpretação da idade óssea, em conjunto com dados clínicos, radiológicos e laboratoriais, permite estabelecer condutas mais precisas, individualizadas e alinhadas à real expectativa de crescimento e maturação do paciente.
O Dr. Henrique Noronha é médico ortopedista, especialista em cirurgia de coluna e intervenção de dor, usando técnicas minimamente invasivas, se colocando sempre à disposição para trazer mais qualidade de vida às pessoas que sofrem comproblemas na coluna.