

Entenda mais sobre a escoliose, os tipos e as principais opções de tratamento, neste artigo. Boa leitura!
A escoliose é uma condição em que a coluna vertebral apresenta uma curvatura lateral, formando um “S” ou um “C”. Essa curvatura é estrutural e pode progredir com o tempo, especialmente durante a fase de crescimento da criança ou do adolescente.
Além da aparência torta da coluna, alguns sintomas que podem surgir incluem:

Existem diferentes tipos de escoliose, cada um com suas particularidades. Os principais tipos incluem:
É o tipo mais comum, especialmente em adolescentes. O termo “idiopática” significa que a causa é desconhecida, mas sabe-se que pode haver uma predisposição genética.
Esse tipo surge ainda na formação do feto, devido a malformações das vértebras. Geralmente, é diagnosticada logo nos primeiros anos de vida.
Relacionada a condições que afetam os músculos e nervos, como paralisia cerebral, distrofia muscular ou lesões na medula espinhal. Nesses casos, a coluna se entorta porque os músculos não conseguem manter seu alinhamento adequado.
Mais comum em adultos, especialmente idosos, ocorre devido ao desgaste natural da coluna, como osteoartrite ou desgaste dos discos intervertebrais.
A escoliose muitas vezes se desenvolve de forma silenciosa, especialmente durante a infância e adolescência. Por isso, é importante observar atentamente o corpo e a postura, pois os primeiros sinais costumam ser visuais, antes mesmo do surgimento de dor ou desconforto.
O diagnóstico da escoliose começa com uma avaliação clínica feita por um ortopedista. O médico observa a postura do paciente e procura sinais como ombros ou quadris desalinhados. Um teste comum nessa etapa é o Teste de Adams, onde o paciente se inclina para frente e o especialista verifica se há assimetrias nas costas.
Para confirmar o diagnóstico e medir a curvatura da coluna, é solicitado um raio-X. Esse exame permite calcular o ângulo de Cobb, que determina o grau da escoliose. Em casos mais complexos ou com suspeita de outras alterações, podem ser usados exames de ressonância magnética ou tomografia, que oferecem uma visão mais detalhada da coluna.
Quanto mais cedo a escoliose é diagnosticada, maiores as chances de evitar a progressão da curvatura. Por isso, o acompanhamento com um especialista é fundamental, principalmente durante a infância e adolescência, quando a coluna ainda está em fase de crescimento.
Os tratamentos conservadores têm como objetivo principal evitar a progressão da curvatura da coluna e melhorar a qualidade de vida do paciente. Eles são especialmente indicados para crianças e adolescentes que ainda estão em fase de crescimento, mas também podem beneficiar adultos com escoliose leve ou moderada.
1. Acompanhamento clínico: Em casos leves, o médico pode optar apenas por monitorar a evolução da escoliose com consultas regulares e exames de imagem, como o raio-X. Isso é importante para identificar se a curvatura está estável ou se está aumentando com o tempo. O acompanhamento costuma ser feito a cada 4 a 6 meses, principalmente durante o estirão de crescimento.
2. Fisioterapia especializada: A fisioterapia é uma aliada essencial no tratamento conservador. Ela fortalece os músculos que sustentam a coluna, melhora o alinhamento postural e ajuda a aliviar dores. Métodos específicos, como o Método Schroth, são voltados exclusivamente para o tratamento da escoliose e têm mostrado ótimos resultados na estabilização da curva.
3. Uso de colete ortopédico: Quando a curvatura está entre 20 e 40 graus e o paciente ainda está crescendo, o médico pode recomendar o uso de um colete ortopédico. Ele não corrige a escoliose, mas ajuda a impedir que a curvatura aumente. É fundamental que o uso seja orientado por um especialista, já que o modelo do colete e o tempo de uso diário variam conforme o caso.
4. Atividade física: Além da fisioterapia direcionada, o paciente pode se beneficiar de exercícios e atividades físicas de baixo impacto, como pilates clínico, natação e alongamentos. Esses exercícios melhoram o equilíbrio muscular, promovem bem-estar e ajudam a manter a mobilidade da coluna.
A cirurgia para escoliose é indicada quando a curvatura da coluna ultrapassa 40 a 50 graus, especialmente em pacientes que ainda estão crescendo. Nesses casos, há risco de progressão e complicações posturais ou respiratórias.
Também pode ser necessária se houver progressão rápida da curva ou quando os tratamentos conservadores não surtirem efeito. Em adultos, a cirurgia é considerada quando há dor intensa e persistente que limita as atividades do dia a dia.
Casos mais graves, com dificuldade respiratória ou compressão de órgãos, também são indicativos para intervenção cirúrgica. A decisão é sempre feita com cautela, levando em conta idade, sintomas e impacto na qualidade de vida.

A cirurgia para escoliose é chamada de artrodese da coluna vertebral. O objetivo principal é corrigir a curvatura e estabilizar a coluna para que ela não continue entortando com o tempo.
Durante o procedimento, o cirurgião faz uma incisão nas costas (ou em alguns casos, pela lateral ou frente), reposiciona a coluna e utiliza hastes, parafusos e enxertos ósseos para alinhar e fixar as vértebras. Esses materiais mantêm a coluna na posição correta enquanto os ossos se fundem naturalmente ao longo dos meses.
A cirurgia pode durar de 4 a 6 horas, dependendo da complexidade da curva. É realizada com anestesia geral e envolve uma equipe especializada em cirurgia da coluna.
A recuperação da cirurgia de escoliose exige cuidados e acompanhamento, mas costuma trazer excelentes resultados quando bem conduzida.
Internação hospitalar: dura entre 3 e 5 dias, com monitoramento intensivo nos primeiros dias.
Retorno à movimentação: o paciente costuma levantar-se e caminhar com ajuda no segundo ou terceiro dia.
Cuidados pós-operatórios: incluem uso de analgésicos, curativos e fisioterapia leve para facilitar a mobilidade.
Reabilitação em casa: nas primeiras semanas, é importante evitar esforços, manter a postura e seguir as orientações médicas.
Tempo de recuperação total: varia de 3 a 6 meses para retorno às atividades normais, e até 1 ano para liberação completa de esportes ou esforço físico intenso.
Com o tempo, os ossos se fundem ao redor dos implantes, garantindo estabilidade permanente da coluna. O paciente pode voltar a ter uma vida ativa, com melhora na postura, mobilidade e qualidade de vida.
O Dr. Henrique Noronha é médico ortopedista, especialista em cirurgia de coluna e intervenção de dor, usando técnicas minimamente invasivas, se colocando sempre à disposição para trazer mais qualidade de vida às pessoas que sofrem com problemas na coluna.