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    Escoliose idiopática juvenil: Conheça tudo sobre a escoliose na adolescência

    De acordo com a OMS, são afetadas pela escoliose aproximadamente 4% da população global. Essas estimativas apontam que a população mundial está em torno de 7,6 bilhões de pessoas, ou seja, de 152 milhões a 304 milhões de habitantes sofrem desse mal, e incluídos nessa estimativa, estão os jovens que sofrem com a escoliose na adolescência.

    Ao contrário do que grande parte da população pensa, a escoliose não é mais uma doença dos idosos, pois ela vem aparecendo cada vez mais nas pessoas mais jovens, principalmente nos adolescentes.

    Seja por alterações posturais ou condições hereditárias, o público juvenil é um dos que mais procura tratamento para esse tipo de enfermidade. Pensando em ajudar na busca por informações e tratamentos adequados, elaboramos esse artigo com definições, causas e tratamentos para você. Continue com a gente e descubra mais!

    O que é escoliose?

    A escoliose, que também pode ser chamada de hiperescoliose, é um desvio da coluna vertebral tanto para o lado esquerdo quanto para o lado direito. Dessa forma, o aspecto da coluna se assemelha ao de um “C” ou de um “S”.

    Quando olhada de frente ou de cima, a coluna vertebral deve apresentar um aspecto reto. Se olhada pela lateral, porém, é normal identificar duas curvas: uma para trás, próximo ao tórax, que é chamada de cifose, e outra para frente, na lombar, que leva o nome de lordose.

    Ao se analisar a coluna vertebral de frente, todas as 33 vértebras devem estar alinhadas. Curvaturas de até 9 graus são consideradas normais, mas quando elas são de 10 graus ou mais, já caracteriza a escoliose.

    As muitas classificações desta doença variam de acordo com sua gravidade e também com a posição da vértebra desalinhada. Quanto maior for esse ângulo, mais sério é o caso.

    Os tipos de Escoliose

    • Escoliose Congênita: é a escoliose resultante de uma má formação na coluna vertebral, presente desde o nascimento.
    • Escoliose Neuromuscular: é a alteração da coluna vertebral a partir de uma ativação muscular ou nervosa anormal. Este tipo de escoliose é frequentemente observado em pessoas com paralisia cerebral, distrofia muscular, espinha bífida ou outras complicações neurológicas. Em decorrência da fraqueza muscular em estabilizadores de coluna, geralmente a coluna desses pacientes forma uma grande curva em formato de “C”.
    • Escoliose Idiopática: é aquela que ocorre sem uma causa conhecida. Existem algumas teorias que afirmam que a escoliose é frequente entre membros de uma família, o que sugere fortemente que ela tenha associação com um componente genético. Outra teoria é a de que as alterações posturais são tão significantes que causam anomalias nas fibras musculares e resultam em alterações morfológicas. Ela é subdividida de acordo com a faixa etária de acometimento:
    • Escoliose idiopática infantil: acomete crianças menores de três anos;
    • Escoliose idiopática juvenil: acomete crianças de três a nove anos;
    • Escoliose idiopática do adolescente: acomete crianças de nove a 18 anos;
    • Escoliose idiopática do adulto: acomete maiores de 18 anos.

    Teorias sobre a origem da Escoliose Idiopática:

    Mesmo após exame clínico e laboratorial, não é possível encontrar o principal problema que leva às alterações na coluna. Existem diversos achados que podem ser usados como possíveis causas, são eles:

    • Déficit do controle da postura corporal pelo sistema nervoso central;
    • Interações anômalas entre hormônios envolvidos no processo do crescimento (melatonina);
    • Determinados defeitos genéticos da membrana celular associados às anormalidades do colágeno e dos músculos esqueléticos;
    • Distúrbios biomecânicos da coluna como estímulos e sobrecargas assimétricas.

    Sinais e Sintomas:

    Normalmente a escoliose é detectada pelos familiares quando o adolescente está em trajes de banho, observando os seguintes sinais:

    • Tórax deslocado para um lado
    • Cabeça não centrada
    • Uma escápula mais perceptível que a outra
    • Irregularidade da cintura 
    • Roupas com caimento de forma irregular 
    • Um ombro mais alto que o outro 
    • Um quadril mais alto que o outro 
    • Irregularidade na frente do tórax

    A escoliose idiopática não é causa de dor, mas pode estar associada, uma vez que dor nas costas é uma queixa prevalente na população em geral.

    História Natural da Escoliose na adolescência:

    A maioria dos pacientes com escoliose leve na maturidade esquelética (o fim do crescimento), com certeza levarão uma vida normal. Não há limitações específicas na atividade, incluindo esportes para pacientes com escoliose. 

    Pacientes do sexo feminino têm gestações típicas; preocupações de que sua curva irá progredir durante este período não são comprovadas. Para aqueles pacientes com curvas mais significativas (ou seja, maiores que 45-50 graus), há uma probabilidade significativa de que essas curvas continuem a piorar, além de se tornar dolorosas na fase adulta, por isso a indicação cirúrgica.

    Diagnóstico:

    Escoliose idiopática adolescente é diagnosticada com base em exame físico, história pessoal e familiar , incluindo qualquer caso de escoliose, e radiografias de coluna panorâmica.

     O médico pedirá à criança para se curvar para a frente, o que mostrará qualquer anormalidade na coluna, o famoso teste de Adams, e fará medidas para checar discrepâncias de membros, manchas na pele, traços sindrômicos, frouxidão ligamentar ou rigidez articular.

    Progressão da Escoliose na adolescência:

    A progressão da curva depende do fator de crescimento e dinâmica de crescimento, mas é muito comum que elas aconteçam principalmente durante as fases de estirões, você pode ver os detalhes sobre a escoliose. Nos bebês isso acontece dos 6 aos 24 meses, nas crianças de 5 a 8 anos, e durante a fase da puberdade, onde é preciso acompanhar mais atentamente meninas entre 10 e 14 anos e meninos entre 12 e 16 anos. Estudos mostram que as chances de aumento de curvatura pioram quanto maior o ângulo e quanto menor a idade. Pois assim, mais esforços serão necessários para estabilizar o grau. 

    Há testes genéticos?

    Sim, há um teste genético para ajudar a determinar se uma curva vai piorar. Contudo o teste é atualmente apenas para um grupo seleto de crianças. Estas são garotas caucasianas entre as idades de 9 e 13 anos, com curvas de 10 a 25 graus. Pesquisadores estão trabalhando na melhoria do teste para incluir todos os grupos étnicos e todas as idades das crianças. Ainda não temos testes disponíveis no Brasil.

    Tratamento para escoliose na adolescência

    Para decidir como será o tratamento, devemos fazer uma equação que leva em consideração três fatores: o ângulo de Cobb (a magnitude da curva principal), o sinal Risser, que sugere o quanto a coluna ainda vai crescer, e a idade cronológica.

    Em resumo, quanto maior a curva e menor a idade, mais grave. Quanto menor a curva e maior a idade, mais leve. 

    Baseando no ângulo de Cobb, temos:

    • Observação – para casos de 0 a 10 graus, pelo risco de desenvolver escoliose.
    • Tratamento com exercícios – para 10 a 25 graus;
    • Tratamento com colete e exercícios – de 25 graus a 45 graus;
    • Tratamentos cirúrgicos – para curvaturas maiores de 45 e 50 graus. Porém, com curvas de 40 graus em progressão, também indicamos a cirurgia.

    A fisioterapia é recomendada como a primeira opção de tratamento para pequenas curvas, com a finalidade de impedir sua progressão. Os principal objetivo do tratamento fisioterapêutico, além de proporcionar o alongamento das cadeias musculares, aumentar a flexibilidade e mobilidade da coluna,  é proporcionar à pessoa mais consciência sobre o próprio corpo de forma a reprogramar o cérebro para que consiga corrigir sua postura sem ficar ativamente pensando nela 

    Entre os métodos fisioterapêuticos para o tratamento da escoliose estão o Seas e Scrotch, que são exercícios específicos para escoliose com maior evidência científica. Pilates, natação e RPG não se provaram como métodos específicos para escoliose, apesar de ajudarem na consciência corporal e força muscular.

    Coletes:

    Os coletes ortopédicos são órteses indicados durante a fase de crescimento de crianças e adolescentes, usados para prevenir a progressão da curvatura. Mas este tratamento deve ser combinado com exercícios específicos para Escoliose, tanto para preparar o paciente para o uso do colete, como para realizar durante toda a fase de amadurecimento ósseo.

    No Brasil, os dois tipos de coletes mais comuns são o colete de Milwaukee e Colete Boston, que precisam de muito tempo de utilização e, por isso, as adolescentes evitam utilizar na escola devido a aparência. Assim, a taxa de melhora com o uso destes coletes diminui muito entre as pacientes.

    Há outros tipos de coletes que são tridimensionais que são mais eficientes e diminuem a indicação de cirurgia. Esses coletes, do Sistema Goss, são projetados por computador de acordo com a anatomia e personalizados para o caso de cada paciente.

    Em alguns dos casos, procedimentos cirúrgicos são recomendados com a finalidade de trazer mais qualidade de vida aos pacientes. 

    O tratamento padrão é a Cirurgias de Artrodese, onde conseguimos corrigir ou diminuir  as curvas e fixamos nesta posição. Neste caso, obtemos resultado satisfatório às custas de fusão vertebral, ou seja, tiramos o movimento da parte da coluna afetada pela curva da escoliose.

    O “Vertebral Body Tethering” consiste em colocar grampos nas vértebras que são tracionadas por uma tira flexível. Desta forma conseguimos diminuir a curva sem tirar movimento da coluna.

    O“Growing Rod”consiste em hastes que se alongam junto com o paciente, durante seu crescimento. São indicados para escoliose de início precoce para que se permita crescimento da coluna, antes de indicar a artrodese final.

    Nessas ocasiões, vale ressaltar a extrema importância de um médico especialista em cirurgia da coluna.

    Fique atento, não negligencie as dores na coluna, assim como assimetrias nos ombros, costelas e bacia…

    E em caso de dor na coluna sempre procure um especialista para que possa receber um diagnóstico mais preciso, de forma a direcionar seu tratamento.

    Para ficar por dentro quando o assunto é coluna, complemente o seu conhecimento com esses próximos artigos:

    👉 Os malefícios causados pela má postura corporal – Dr Henrique Noronha 

    👉 Cifose: O que fazer para evitar a “corcunda” na coluna 

    👉 Lordose ou Hiperlordose? Saiba quais as causas e diferenças entre elas. 

    👉 Os malefícios causados pela má postura corporal – Dr Henrique Noronha
    Vale ressaltar a importância de um médico especializado para realizar o diagnóstico correto. Pensando em proporcionar a melhor solução para sanar os problemas dos pacientes, o Dr. Henrique Noronha é médico ortopedista, especialista em cirurgia de coluna e intervenção de dor, usando técnicas minimamente invasivas, se colocando sempre à disposição para trazer mais qualidade de vida às pessoas que sofrem com problemas na coluna – Agende já a sua consulta.

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