

A menos comum das escolioses entre jovens, a escoliose congênita é uma curvatura lateral da coluna vertebral que ocorre desde o nascimento do bebê. Segundo dados do Boston Children’s Hospital, a condição afeta 1 em cada 10 mil recém-nascidos.
Mesmo que essa seja uma condição existente desde o nascimento, os afetados com a malformação não necessariamente irão manifestar sintomas ainda na infância. Em muitos casos, a condição só passa a virar um incomodo já na adolescência. Quer saber mais sobre a escoliose congênita e os tratamentos existentes? Neste artigo, eu tiro as dúvidas mais frequentes sobre a condição.

A escoliose congênita é causada por uma malformação das vértebras durante a gestação, que faz com que a coluna vertebral tenha uma curvatura anormal devido ao desenvolvimento inadequado dos ossos.
Diferentemente dos tipos idiopáticos e neuromuscular, o formato da coluna não tem um “padrão” nesse tipo de escoliose, podendo ser diferente em cada indivíduo acometido. A gravidade e a localização da curvatura também podem variar de caso a caso.
A escoliose congênita pode ser classificada em quatro tipos distintos, que são determinados pelos aspectos do desenvolvimento da coluna vertebral durante a gestação. Veja as definições abaixo:
Durante a formação da coluna vertebral, parte de uma ou mais vértebras pode não se formar completamente, ocasionando uma anomalia chamada de hemivértebra.
A condição pode produzir um ângulo acentuado na coluna vertebral, que tem chances de piorar à medida que a criança cresce.
Em caso de se formar mais de uma hemivértebra, elas podem se equilibrar mutuamente, possibilitando uma estabilidade maior na coluna.

Em casos que a separação do tecido da coluna vertebral em vértebras ósseas durante o desenvolvimento fetal não ocorre completamente, pode ocorrer uma fusão parcial (barra óssea) que acaba unindo duas ou mais vértebras.
Após o nascimento do bebê, a barra óssea formada impede o crescimento em um dos lados da coluna, o que resulta em uma curvatura que aumenta conforme a criança se desenvolve.
Quando ocorre simultaneamente a formação de uma barra óssea em um lado da coluna e uma hemivértebra no outro, o crescimento da criança é ainda mais prejudicado.
Nesse caso, uma das formas de impedir o aumento da curvatura da coluna é por meio da intervenção cirúrgica.
Durante o desenvolvimento da coluna de uma criança também podem surgir as curvas compensatórias para compensar uma curvatura da escoliose.
Essa anomalia ocorre devido a formação de outras curvas na direção oposta, acima ou abaixo da área afetada. Assim, as vértebras têm uma forma normal nessas curvas compensatórias.
Entre os sintomas e sinais mais comuns da escoliose congênita, que costumam ser um sinal de alerta, estão:
Sim.
Existem uma série de riscos que o quadro de escoliose congênita pode apresentar para o acometido ao longo do tempo.
Como citado anteriormente, a gravidade da condição vai depender de cada caso, podendo variar entre leve e grave. Em alguns casos, quando associadas, podem apresentar até risco de vida.
Na gestação, a coluna se forma ao mesmo tempo que os órgãos do bebê. Por conta disso, a malformação congênita que causa a escoliose também pode afetar a bexiga, rins, o sistema nervoso, além da coluna vertebral e a medula espinhal.
Além disso, como a condição pode progredir, especialmente durante os períodos de crescimento rápido, como a adolescência, se a curvatura da coluna se tornar mais pronunciada, uma série de outros problemas de saúde podem surgir. Sendo eles:
Em casos mais graves de escoliose congênita, a curvatura da coluna pode afetar o desenvolvimento dos pulmões, restringindo a capacidade respiratória. A questão pode levar tanto a problemas respiratórios crônicos, como diminuir a função pulmonar.
O coração e os vasos sanguíneos também podem ser comprimidos com o aumento da curvatura da coluna, o que dificulta no bombeamento eficiente do sangue.
Assim, a escoliose congênita em casos mais graves pode resultar em problemas cardiovasculares, como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e redução do fluxo sanguíneo para outros órgãos.
Dores crônicas nas costas, quadris e pernas podem surgir no acometido devido aos desequilíbrios posturais e a distribuição irregular do peso corporal.
Um médico especialista em intervenção da dor pode ajudar a encontrar uma forma de reduzir as dores durante o tratamento da escoliose congênita.
Ademais, a aparência física também é alterada em pacientes com escoliose congênita. A condição pode acabar afetando a autoestima e a saúde mental dos indivíduos e causar constrangimento social, isolamento e outras questões emocionais.
O diagnóstico da escoliose congênita geralmente é feito por um médico ortopedista especializado em condições da coluna vertebral.
Para chegar até o diagnóstico final, o especialista analisa uma série de fatores e exames, como:

Além disso, o especialista pode medir a função pulmonar para avaliar o impacto da curvatura da coluna vertebral no sistema respiratório.
Com os exames, será possível não somente identificar a presença da escoliose congênita, mas definir a gravidade da curvatura e a presença de anormalidade associada, que vão ajudar na hora de definir o tratamento ideal para cada caso.

Sim, a escoliose congênita não é impeditiva para que crianças pratiquem determinados tipos de esportes.
Cada caso é único, portanto, é essencial obter uma avaliação profissional para determinar quais esportes e atividades são seguros e adequados.
Atividades como natação, hidroginástica e yoga, por exemplo, podem ajudar a fortalecer os músculos das costas, melhorar a postura e aliviar os sintomas da escoliose.

É importante evitar esportes de impacto ou atividades que envolvam movimentos bruscos da coluna, pois pode aumentar o risco de lesões ou agravar a curvatura.
Somente um médico especialista em ortopedia poderá determinar qual a atividade ideal para o seu filho, já que a decisão dependerá da gravidade e da estabilidade da curvatura da coluna vertebral.
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A escolha do tratamento ideal para cada caso depende do nível das malformações congênitas identificadas, da idade do paciente, rigidez e progressão da curvatura.
Existem dois tipos de tratamentos prevalecentes: o não-cirúrgico e o cirúrgico.
Para crianças com curvas menores, é feito o monitoramento da coluna a fim de identificar se a curvatura fica mais acentuada com o crescimento.
Esse monitoramento é feito por meio de radiografias tiradas em intervalos de 6 a 12 meses durante os anos de crescimento. Caso não haja progressos na anomalia, nenhum tratamento adicional precisará ser feito.
No entanto, de forma geral, o tratamento mais indicado para casos de escoliose congênita é a cirurgia. Isso porque outros tratamentos como o uso de coletes não costumam ser eficazes para essa condição.
O tipo de tratamento cirúrgico dependerá da idade da criança e do estágio de crescimento.
Existem opções cirúrgicas para crianças pequenas e bebês com escoliose congênita com o objetivo de manter a coluna alinhada de forma que não atrapalhe o crescimento. Veja quais são:
Uma das opções de tratamento é a implantação temporária de hastes de crescimento para controlar a curvatura da coluna vertebral à medida que a criança cresce. Nesse procedimento, as hastes são fixadas à coluna com parafusos. É feita uma pequena incisão nas costas da criança a cada seis meses para o alongamento da hastes à medida que a criança cresça, permitindo que a coluna possa continuar se desenvolvendo normalmente.
A cirurgia de fusão espinhal (artrodese) é um dos tratamentos cirúrgicos mais populares em casos de escoliose grave em adolescentes. O procedimento cirúrgico endireita a coluna e solidifica o osso impedindo que ele se curve de forma anormal.
De forma geral, a coluna vertebral acaba se fundindo posteriormente a cirurgia de forma semelhante à cicatrização de um osso quebrado. O processo demora cerca de seis a 12 meses. Nesse período, pode ser recomendado pelo especialista o uso de coletes.

É essencial ainda contar com o acompanhamento de um médico especialista, que poderá avaliar cuidadosamente o caso e determinar o tratamento para o seu filho.
O Dr. Henrique Noronha é médico ortopedista, especialista em cirurgia de coluna e intervenção de dor. Por meio de técnicas minimamente invasivas, que permitem tratar a escoliose congênita de forma eficaz, o seu filho terá a oportunidade de desenvolver-se plenamente e desfrutar de uma melhor qualidade de vida.