

As hérnias de disco são alterações estruturais dos discos intervertebrais, em geral ligadas ao desgaste (degeneração) ao longo do tempo. A origem é multifatorial: predisposição genética associada à sobrecarga e microtraumas repetitivos, entre outros fatores.
Neste artigo, faremos uma comparação entre o tratamento clínico e cirúrgico para hérnia de disco, além de citar aspectos necessários para esta condição. Para saber mais, continue lendo!
O disco intervertebral é formado por um centro elástico e hidratado, o núcleo pulposo, envolto por uma “capa” resistente de fibras colágenas chamada ânulo fibroso. Juntos, eles atuam como amortecedor entre as vértebras, distribuindo cargas e absorvendo impactos a cada movimento.
Com o passar do tempo, o núcleo vai perdendo hidratação e elasticidade, reduzindo sua capacidade de sustentar peso e amortecer choques. Essa degeneração favorece o aparecimento de fissuras no ânulo fibroso; o material do núcleo pode então avançar para fora de seu compartimento. Inicialmente, vemos protrusões (abaulamentos) do disco. À medida que as fissuras se ampliam, o deslocamento pode tornar-se irregular e avançar em direção a regiões por onde passam as raízes nervosas, comprimindo-as e desencadeando dor e outros sintomas.
Em situações mais avançadas, o disco pode romper completamente o ânulo, caracterizando uma extrusão do núcleo pulposo. Se, além disso, houver ruptura do ligamento que separa o disco do canal neural (ligamento longitudinal posterior), um fragmento pode se desprender e migrar livremente dentro do canal, quadro chamado de hérnia sequestrada.
As hérnias de disco acometem com maior frequência as áreas de maior carga e mobilidade da coluna, cervical e lombar. Na região cervical, a compressão das raízes que inervam os membros superiores pode causar cervicobraquialgia: dor que irradia para ombros, braços e mãos, muitas vezes acompanhada de formigamento ou fraqueza. Na região lombar, a compressão das raízes que vão para os membros inferiores leva à lombociatalgia: dor que percorre glúteos, coxas, pernas e pés, também podendo cursar com alterações de sensibilidade e força.

Os sinais variam conforme o nível e o grau de compressão, são eles:
Sinais de alarme: perda do controle urinário/fecal, anestesia em “sela”, fraqueza progressiva importante.
O diagnóstico de hérnia de disco começa pela avaliação clínica e neurológica: história dos sintomas, exame físico, teste de força, sensibilidade e reflexos. Quando necessário, recorre-se a exames de imagem. A ressonância magnética é o exame de escolha para avaliar o disco, identificar a localização e o tipo de hérnia e verificar possíveis compressões nervosas.
A tomografia computadorizada é uma alternativa quando a RM é contraindicada ou para estudar melhor as estruturas ósseas. Já o raio-X não mostra a hérnia em si, mas ajuda a avaliar alinhamento, instabilidade e alterações das vértebras; por isso, muitas vezes é solicitado primeiro e, a partir dele, indica-se a RM ou a TC conforme a necessidade.

Confirmada a presença de uma ou mais hérnias e correlacionando a imagem aos sintomas, o tratamento é definido de forma individualizada. Na maioria dos casos, inicia-se com medidas conservadoras: reabilitação com Fisioterapia e exercícios, podendo integrar Pilates, RPG ou Osteopatia, além de analgesia e educação postural. Cirurgia costuma ser a última opção, indicada para dor radicular intensa e persistente após semanas de tratamento adequado ou diante de déficit neurológico progressivo e outros sinais de alerta.
Quando há falha do tratamento clínico adequado, dor intratável que limita atividades, déficit motor progressivo ou emergência neurológica (exemplo: síndrome da cauda equina), a cirurgia entra em cena. A técnica mais comum é a microdiscectomia, que remove o fragmento herniado e descomprime o nervo.
Evidências de alta qualidade mostram que a cirurgia acelera o alívio da dor e recuperação em comparação ao manejo conservador, especialmente nos primeiros meses. No horizonte de 1 a 2 anos, os desfechos de ambos tendem a se aproximar; em seguimentos mais longos, alguns estudos ainda observam vantagem para os operados, desde que bem selecionados.
– Conservador
Prós: evita riscos cirúrgicos; custo menor; preserva opção de operar se necessário.
Contras: melhora pode ser mais lenta; pode não resolver dor intensa persistente.
– Cirúrgico
Prós: alívio mais rápido da ciática; retorno mais precoce às atividades para casos refratários.
Contras: envolve riscos (infecção, lesão nervosa, recorrência da hérnia); requer recuperação pós-operatória.
O comportamento diário pesa muito no resultado, tanto para se recuperar quanto para evitar novas crises, por isso, recomenda-se:
Não existe um “melhor” tratamento único, a escolha depende dos sintomas, do exame neurológico e do tempo de evolução. Em geral, a hérnia de disco responde bem ao manejo clínico estruturado (atividade orientada, fisioterapia e controle da dor).
Quando a dor radicular é intensa e persistente ou há déficits neurológicos, a cirurgia (exemplo disso: a microdiscectomia) pode oferecer alívio mais rápido; no longo prazo, os resultados frequentemente se aproximam dos do tratamento conservador. A decisão deve ser compartilhada, considerando sintomas, exame físico, achados de imagem e preferências do paciente. Procure um especialista para avaliação e plano individualizado.
O Dr. Henrique Noronha é ortopedista, especialista em cirurgia da coluna e intervenção da dor. Atua com técnicas minimamente invasivas para aliviar a dor, recuperar função e melhorar a qualidade de vida de quem convive com problemas na coluna.