

Os cistos de Tarlov são uma condição que pode passar despercebida por muitos anos, já que, em alguns casos, eles não causam sintomas evidentes. No entanto, para quem convive com essa condição, os sintomas podem se manifestar de forma significativa, impactando a qualidade de vida.
Saiba mais sobre o cisto de Tarlov, quais as causas, sintomas, como é feito o diagnóstico e os principais tratamentos não cirúrgicos, neste artigo. Confira!

O cisto de Tarlov, também conhecido como cisto perineural, é um tipo de cisto que se forma ao redor das raízes nervosas da coluna vertebral, geralmente na região sacral (parte inferior da coluna, perto do cóccix). Esses cistos contêm líquido cefalorraquidiano (líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal) e se localizam entre as meninges (membranas que revestem e protegem o sistema nervoso central).
Ainda não há um consenso definitivo sobre as causas exatas dos cistos de Tarlov. No entanto, especialistas acreditam que alguns fatores podem estar relacionados ao desenvolvimento desses cistos, como:
Traumas ou lesões na coluna: Impactos, quedas ou cirurgias podem danificar a área onde os cistos se formam, levando ao acúmulo de líquido.
Inflamação crônica: Condições inflamatórias na coluna podem contribuir para a formação dos cistos ao alterar o fluxo de líquido cerebrospinal.
Fragilidade do tecido conectivo: Algumas pessoas podem ter uma predisposição genética para tecidos conjuntivos mais frágeis, tornando-as mais suscetíveis ao desenvolvimento de cistos.
Os sintomas do cisto de Tarlov podem variar, dependendo do tamanho e da localização do cisto. Muitas vezes, os cistos são assintomáticos e descobertos incidentalmente em exames de imagem feitos por outros motivos.
No entanto, quando os cistos de Tarlov causam sintomas, eles geralmente estão relacionados à compressão das raízes nervosas. Os principais sintomas incluem:
A maioria dos cistos de Tarlov é descoberta acidentalmente, durante exames de imagem para investigar outras condições. No entanto, quando o cisto provoca sintomas, é fundamental um diagnóstico preciso para definir o melhor tratamento. Os exames mais utilizados incluem:
Ressonância Magnética (RM): Esse exame fornece imagens detalhadas da coluna, permitindo a visualização do cisto e sua relação com as estruturas nervosas.
Tomografia Computadorizada (TC): A tomografia pode ser utilizada em conjunto com a ressonância para uma análise mais completa da anatomia da coluna e a presença de cistos.
A consulta com um especialista em coluna é recomendada para avaliação e orientação de um tratamento adequado para o paciente com esta condição.
Os principais tratamentos não cirúrgicos para o cisto de Tarlov podem incluir:
Os medicamentos podem ajudar a controlar a dor e reduzir a inflamação associada ao cisto, incluindo anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e, em alguns casos, opioides.
A fisioterapia personalizada pode fortalecer a musculatura ao redor da coluna, reduzindo a pressão sobre os nervos afetados. Técnicas como alongamentos, exercícios de estabilização e mobilização da coluna podem ser úteis para o alívio dos sintomas.

Injeções de corticoides ao redor do cisto ou da área afetada podem ajudar a reduzir a inflamação e aliviar temporariamente a dor. Essa abordagem é usada para proporcionar alívio de curto a médio prazo.
Embora não seja uma cirurgia aberta, a drenagem percutânea envolve a retirada do líquido do cisto através de uma agulha inserida sob orientação de imagem. Isso pode reduzir o tamanho do cisto e aliviar a pressão sobre os nervos. Contudo, existe a possibilidade de o cisto voltar a se encher de líquido ao longo do tempo.
Além dos tratamentos médicos, ajustes no estilo de vida podem ter um impacto significativo na gestão dos sintomas. Medidas como evitar esforços físicos intensos, melhorar a ergonomia no ambiente de trabalho e manter uma rotina de exercícios leves podem reduzir a sobrecarga na coluna.
A cirurgia para cisto de Tarlov geralmente não é a primeira opção de tratamento, sendo indicada apenas em casos específicos, principalmente quando os sintomas são graves, limitantes e não respondem a abordagens conservadoras. A decisão de intervir cirurgicamente considera também a presença de disfunções neurológicas significativas.
Devido à delicada localização dos cistos e aos riscos associados ao procedimento, a cirurgia é recomendada somente quando outras formas de tratamento não produzem os resultados esperados.
Vale ressaltar a importância de um acompanhamento e diagnóstico individualizado, em que o especialista indicará o melhor tratamento, então busque um médico especialista em cirurgia da coluna, antes de tomar uma decisão.
Existem diferentes abordagens cirúrgicas que podem ser usadas para tratar o cisto de Tarlov. As mais comuns incluem:
Apesar de ser uma opção válida para alguns pacientes, a cirurgia para cisto de Tarlov carrega riscos, como em qualquer procedimento na coluna vertebral. Esses riscos incluem:
Danos nas raízes nervosas;
Infecções;
Recorrência do cisto;
Fístulas de líquido cerebrospinal.
Os cistos de Tarlov podem ser silenciosos, mas em alguns casos, seus sintomas afetam a rotina e o bem-estar. Se você tem sentido dores persistentes ou outros sinais relacionados à coluna, é essencial procurar um especialista para uma avaliação detalhada. Com o diagnóstico correto, é possível discutir as melhores opções de tratamento e aliviar os desconfortos que essa condição pode causar. Por isso, não deixe de buscar um médico especialista para cuidar de seu bem-estar.
O Dr. Henrique Noronha é médico ortopedista, especialista em cirurgia de coluna e intervenção de dor, usando técnicas minimamente invasivas, se colocando sempre à disposição para trazer mais qualidade de vida às pessoas que sofrem com problemas na coluna.