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    Biacuplastia para tratamento de dor discogênica: Quando indicada?

    A dor lombar crônica é uma das queixas musculoesqueléticas mais prevalentes no mundo, sendo a dor discogênica uma de suas principais causas. O disco intervertebral pode se tornar fonte de dor quando sofre degeneração estrutural e inflamatória. A biacuplastia surge como uma opção minimamente invasiva para tratamento dessa condição, visando alívio da dor e melhora funcional sem a necessidade de cirurgia aberta.

    Entenda mais sobre a biacuplastia para tratamento de dor discogênica, quando indicada e muito mais, neste artigo. Boa leitura!

    Biacuplastia

    O que é dor discogênica?

    É uma dor crônica na coluna (geralmente lombar) causada por degeneração do disco intervertebral, sem necessariamente haver hérnia de disco. O disco perde hidratação, altura e sua capacidade de absorver impactos, o que pode gerar inflamação e dor persistente.

    O que é a biacuplastia?

    A biacuplastia é uma técnica intervencionista que utiliza radiofrequência bipolar controlada por temperatura, aplicada diretamente na parede posterior do disco intervertebral (ânulo fibroso), com o objetivo de desnervar fibras nervosas nociceptivas e reorganizar as fibras colágenas discais, promovendo alívio da dor e estabilização do disco.

    Quais os mecanismos de ação?

    • Utiliza dois eletrodos posicionados bilateralmente na parte posterior do disco (geralmente nos níveis L4-L5 ou L5-S1).
    • A radiofrequência aquece o tecido a cerca de 42°C a 45°C por aproximadamente 15 minutos.
    • O calor: Destrói terminações nervosas que transmitem a dor; estimula contração e reestruturação do colágeno, fortalecendo o ânulo fibroso.

    Como funciona a biacuplastia?

    O procedimento consiste em:

    1. Colocação de duas agulhas (eletrodos) em cada lado da parte posterior do disco intervertebral, geralmente guiadas por fluoroscopia (raio-X em tempo real).
    2. Aplicação de radiofrequência bipolar: A energia elétrica aquece o tecido discal a aproximadamente 42–45°C, por cerca de 15 minutos.
    3. O calor é transmitido de forma controlada e focal à parede posterior do disco (ânulo fibroso), onde há terminações nervosas responsáveis pela dor.
    4. Isso leva à: Desnervação das fibras dolorosas do disco e contração e reorganização do colágeno, ajudando a estabilizar o disco.

    A biacuplastia é um procedimento minimamente invasivo utilizado no tratamento da dor discogênica, ou seja, a dor originada de discos intervertebrais degenerados, geralmente na coluna lombar.

    Indicação da biacuplastia

    A biacuplastia é indicada em casos bem selecionados de dor discogênica, especialmente quando:

    Diagnóstico confirmado de dor discogênica

    – O paciente apresenta dor lombar crônica (≥6 meses), resistente a tratamentos conservadores (fisioterapia, medicamentos, infiltrações).

    – A origem da dor foi confirmada como discogênica, normalmente com: ressonância magnética mostrando degeneração discal (sem hérnia significativa). Discografia provocativa positiva (reprodução da dor ao injetar contraste no disco).

    Discos Intervertebrais com degeneração moderada

    – Degeneração de grau 2 a 4 na escala de Pfirrmann.

    – Sem colapso discal grave ou anormalidades anatômicas maiores (ex: hérnia volumosa, estenose severa).

    Dor axial predominante

    – A dor é centralizada (lombalgia axial), sem radiculopatia significativa (dor irradiada nas pernas), pois a biacuplastia não trata compressões nervosas.

    Principais vantagens da biacuplastia

    • Procedimento minimamente invasivo e ambulatorial.
    • Preserva a anatomia discal.
    • Risco baixo de complicações.
    • Retorno rápido às atividades.
    • Pode adiar ou evitar a necessidade de cirurgia (como artrodese lombar).

    Avanços tecnológicos na biacuplastia

    A biacuplastia tem se beneficiado de avanços tecnológicos significativos que aprimoraram sua eficácia e segurança. Um dos principais progressos é a utilização da radiofrequência bipolar com controle preciso de temperatura. Diferente da técnica tradicional de radiofrequência unipolar, a abordagem bipolar permite o aquecimento controlado e uniforme da porção posterior do anel fibroso do disco intervertebral, com menor risco de dano térmico às estruturas adjacentes, como raízes nervosas e dura-máter.

    Os equipamentos modernos monitoram constantemente a temperatura, mantendo-a geralmente entre 40°C e 60°C, o que proporciona uma lesão térmica seletiva e segura para as fibras nervosas anômalas que se infiltram no disco degenerado.

    Além disso, os eletrodos e agulhas utilizados atualmente são mais finos e precisos, permitindo uma abordagem minimamente invasiva, com inserção percutânea guiada por fluoroscopia. Isso torna o procedimento mais confortável para o paciente e reduz o tempo de recuperação.

    Cuidados pós-procedimento da biacuplastia

    A recuperação após a biacuplastia costuma ser rápida, mas exige cuidados específicos para garantir o sucesso do tratamento e minimizar o risco de complicações. Nas primeiras 48 a 72 horas, recomenda-se repouso relativo, evitando esforço físico, dirigir ou permanecer longos períodos em pé ou sentado. Pode ocorrer um leve desconforto na região lombar, geralmente controlado com analgésicos simples e compressas geladas. É fundamental evitar movimentos bruscos ou carregar peso nesse período inicial.

    Após a primeira semana, o paciente pode retomar gradualmente as atividades diárias leves, respeitando os limites do corpo e evitando sobrecarga na coluna. A fisioterapia geralmente é iniciada entre a segunda e terceira semana, com foco inicial em mobilizações suaves, alongamentos e posteriormente no fortalecimento da musculatura estabilizadora da coluna, especialmente o core.

    Exercícios como pilates clínico, caminhada e bicicleta ergométrica são frequentemente indicados nessa fase. A reabilitação orientada é essencial para manter os resultados a longo prazo e prevenir recidivas.

    No médio prazo, entre quatro e seis semanas após o procedimento, o paciente já pode estar retomando sua rotina normal com mais segurança, desde que siga orientações quanto à ergonomia, postura e manutenção do condicionamento físico. É importante também controlar fatores que contribuem para a degeneração discal, como obesidade, tabagismo e sedentarismo. A adesão a essas orientações aumenta consideravelmente a chance de sucesso duradouro da biacuplastia.

    O que esperar do resultado?

    Estudos mostram que pacientes podem apresentar redução significativa da dor e melhora funcional após a biacuplastia, especialmente se bem indicados. O alívio pode durar meses a anos, dependendo do grau de degeneração e dos cuidados posteriores (exercícios, manutenção de peso, postura).

    Possíveis contraindicações

    • Hérnia de disco com compressão radicular evidente;
    • Estenose de canal severa;
    • Instabilidade vertebral ou espondilolistese;
    • Infecção ativa ou distúrbios de coagulação;
    • Psicopatologias não controladas.

    A biacuplastia um avanço no tratamento da dor discogênica, oferecendo uma abordagem segura, eficaz e minimamente invasiva para pacientes bem selecionados. O sucesso do tratamento depende de uma avaliação clínica criteriosa, exames complementares adequados e correta indicação do procedimento.

    O Dr. Henrique Noronha é médico ortopedista, especialista em cirurgia de coluna e intervenção de dor, usando técnicas minimamente invasivas, se colocando sempre à disposição para trazer mais qualidade de vida às pessoas que sofrem com problemas na coluna.

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