

A dor lombar crônica é uma das queixas musculoesqueléticas mais prevalentes no mundo, sendo a dor discogênica uma de suas principais causas. O disco intervertebral pode se tornar fonte de dor quando sofre degeneração estrutural e inflamatória. A biacuplastia surge como uma opção minimamente invasiva para tratamento dessa condição, visando alívio da dor e melhora funcional sem a necessidade de cirurgia aberta.
Entenda mais sobre a biacuplastia para tratamento de dor discogênica, quando indicada e muito mais, neste artigo. Boa leitura!

É uma dor crônica na coluna (geralmente lombar) causada por degeneração do disco intervertebral, sem necessariamente haver hérnia de disco. O disco perde hidratação, altura e sua capacidade de absorver impactos, o que pode gerar inflamação e dor persistente.
A biacuplastia é uma técnica intervencionista que utiliza radiofrequência bipolar controlada por temperatura, aplicada diretamente na parede posterior do disco intervertebral (ânulo fibroso), com o objetivo de desnervar fibras nervosas nociceptivas e reorganizar as fibras colágenas discais, promovendo alívio da dor e estabilização do disco.
O procedimento consiste em:
A biacuplastia é um procedimento minimamente invasivo utilizado no tratamento da dor discogênica, ou seja, a dor originada de discos intervertebrais degenerados, geralmente na coluna lombar.
A biacuplastia é indicada em casos bem selecionados de dor discogênica, especialmente quando:
– O paciente apresenta dor lombar crônica (≥6 meses), resistente a tratamentos conservadores (fisioterapia, medicamentos, infiltrações).
– A origem da dor foi confirmada como discogênica, normalmente com: ressonância magnética mostrando degeneração discal (sem hérnia significativa). Discografia provocativa positiva (reprodução da dor ao injetar contraste no disco).
– Degeneração de grau 2 a 4 na escala de Pfirrmann.
– Sem colapso discal grave ou anormalidades anatômicas maiores (ex: hérnia volumosa, estenose severa).
– A dor é centralizada (lombalgia axial), sem radiculopatia significativa (dor irradiada nas pernas), pois a biacuplastia não trata compressões nervosas.
A biacuplastia tem se beneficiado de avanços tecnológicos significativos que aprimoraram sua eficácia e segurança. Um dos principais progressos é a utilização da radiofrequência bipolar com controle preciso de temperatura. Diferente da técnica tradicional de radiofrequência unipolar, a abordagem bipolar permite o aquecimento controlado e uniforme da porção posterior do anel fibroso do disco intervertebral, com menor risco de dano térmico às estruturas adjacentes, como raízes nervosas e dura-máter.
Os equipamentos modernos monitoram constantemente a temperatura, mantendo-a geralmente entre 40°C e 60°C, o que proporciona uma lesão térmica seletiva e segura para as fibras nervosas anômalas que se infiltram no disco degenerado.
Além disso, os eletrodos e agulhas utilizados atualmente são mais finos e precisos, permitindo uma abordagem minimamente invasiva, com inserção percutânea guiada por fluoroscopia. Isso torna o procedimento mais confortável para o paciente e reduz o tempo de recuperação.
A recuperação após a biacuplastia costuma ser rápida, mas exige cuidados específicos para garantir o sucesso do tratamento e minimizar o risco de complicações. Nas primeiras 48 a 72 horas, recomenda-se repouso relativo, evitando esforço físico, dirigir ou permanecer longos períodos em pé ou sentado. Pode ocorrer um leve desconforto na região lombar, geralmente controlado com analgésicos simples e compressas geladas. É fundamental evitar movimentos bruscos ou carregar peso nesse período inicial.
Após a primeira semana, o paciente pode retomar gradualmente as atividades diárias leves, respeitando os limites do corpo e evitando sobrecarga na coluna. A fisioterapia geralmente é iniciada entre a segunda e terceira semana, com foco inicial em mobilizações suaves, alongamentos e posteriormente no fortalecimento da musculatura estabilizadora da coluna, especialmente o core.
Exercícios como pilates clínico, caminhada e bicicleta ergométrica são frequentemente indicados nessa fase. A reabilitação orientada é essencial para manter os resultados a longo prazo e prevenir recidivas.
No médio prazo, entre quatro e seis semanas após o procedimento, o paciente já pode estar retomando sua rotina normal com mais segurança, desde que siga orientações quanto à ergonomia, postura e manutenção do condicionamento físico. É importante também controlar fatores que contribuem para a degeneração discal, como obesidade, tabagismo e sedentarismo. A adesão a essas orientações aumenta consideravelmente a chance de sucesso duradouro da biacuplastia.
Estudos mostram que pacientes podem apresentar redução significativa da dor e melhora funcional após a biacuplastia, especialmente se bem indicados. O alívio pode durar meses a anos, dependendo do grau de degeneração e dos cuidados posteriores (exercícios, manutenção de peso, postura).
A biacuplastia um avanço no tratamento da dor discogênica, oferecendo uma abordagem segura, eficaz e minimamente invasiva para pacientes bem selecionados. O sucesso do tratamento depende de uma avaliação clínica criteriosa, exames complementares adequados e correta indicação do procedimento.
O Dr. Henrique Noronha é médico ortopedista, especialista em cirurgia de coluna e intervenção de dor, usando técnicas minimamente invasivas, se colocando sempre à disposição para trazer mais qualidade de vida às pessoas que sofrem com problemas na coluna.