Hérnia de Disco

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As hérnias de disco são alterações anatômicas e mecânicas que ocorrem nos discos intervertebrais decorrentes de seu envelhecimento. Muitas são as teorias que as explicam, mas em suma deve-se a tendência genética associada e traumatismos de repetição.

 


ANATOMIA
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O disco é constituído de um centro elástico (núcleo pulposo) envolto por uma capa fibrosa (ânulo fibroso). Com o passar do tempo, este núcleo elástico vai se deteriorando, perdendo sua capacidade mecânica de sustentação de peso e absorção de impacto, rompendo as fibras do ânulo fibroso, formando as protrusões.
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O disco pode então progredir de forma irregular, podendo se expandir para regiões onde passam os nervos, comprimindo-os. Podem também chegar a romper totalmente o ânulo, com extrusão do núcleo pulposo, e ainda chegar a romper o ligamento que o separa do canal neural, situação chamada de hérnia sequestrada.
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As hérnias de disco acometem as zonas de maior carga e flexibilidade na coluna, ou seja, cervical e lombar. Quando ocorrem na região cervical, podem comprimir as raízes nervosas que inervam os membros superiores, causando dores irradiadas nos ombros, braços e mãos, quadro chamado de cervicobraquialgia.
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As hérnias na região lombar podem comprimir os nervos responsáveis pela inervação dos membros inferiores, cursando com dores nos glúteos, coxas, pernas e pés, quadro chamado de lombociatalgia.
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QUADRO CLÍNICO:

O quadro clínico típico começa com dor aguda na região da coluna, muitas vezes tida como “travamento”, onde o paciente muitas vezes apresenta dificuldade para locomover-se. Normalmente melhora em alguns dias, momento onde começa o quadro de irradiação para o membro. Na grande maioria das vezes os quadros são auto-limitados, resolvendo-se em até algumas semanas. Não raro, pode cursar com perda de sensibilidade e fraqueza muscular no membro acometido, quadro que também normalmente recupera-se espontaneamente.

Um hérnia de disco não diagnosticada e devidamente tratada pode desencadear novos quadros de dor, podendo cronificar-se.

Menos frequentemente a hérnia discal cervical pode se apresentar um quadro mais grave chamado de mielopatia. Nestes casos o disco comprime não somente o nervo, mas também a medula, causando transtornos neurológicos mais graves como paralisias, perda de coordenação de movimentos finos e da marcha, situação que requer tratamento cirúrgico.
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A hérnia lombar pode apresentar um quadro mais agressivo chamado de síndrome da cauda equina. Estes casos caracterizam-se por dor lombar associada a perda ou retenção urinária, além de formigamentos ou perda de sensibilidade na região genital e anal. Tal situação demanda tratamento cirúrgico de urgência.

TRATAMENTO:

Casos cuja hérnia de disco se apresenta como mielopatia cervical ou síndrome da cauda equina, se impera o tratamento cirúrgico. A cirurgia consiste em descompressão do canal medular e retirada da hérnia.

A maioria das hérnias tem curso benigno e melhoram com o tratamento clínico, que se baseia em controle da inflamação, técnicas de reabilitação física e modificações comportamentais.

– Controle da dor: 

Em casos agudos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares, analgésicos e repouso por alguns dias são úteis.

Em casos de dor crônica, podem ser usados anti-depressivos, anticonvulsivantes e estabilizadores de humor, visando ampliar o controle da dor.

Os bloqueios analgésicos (infiltração) são métodos minimamente invasivos para o controle de dor, com resposta rápida e duradoura, e podem ser utilizados com segurança em dor aguda e crônica.

– Reabilitação física:

Consiste em atividade física terapêutica direcionada para o controle postural e condicionamento muscular específico da coluna. Inclui exercícios de fisioterapia, RPG (reeducação postural global), fortalecimento muscular específico, alongamentos orientados e exercícios em piscina.

– Modificação comportamental:

Corrigir hábitos nocivos a coluna, orientar técnicas em ergonomia, diagnosticar e tratar comorbidades associadas (obesidade, tabagismo, depressão, por exemplo), indicar atividade física específica, solicitar acompanhamento multidisciplinar em casos crônicos e refratários.

Em casos específicos, onde há baixa resposta ao tratamento clínico, déficit motor persistente/progressivo, ou instabilidades (movimentos anormais entre as vértebras), pode-se indicar tratamento cirúrgico cuja técnica deve ser individualmente estudada.