Escoliose

 

Scoliosis of the spine, artworkEscoliose é uma deformidade rara na coluna, caracterizada pela alteração do seu eixo, que é reto, para um formato de S, mais tipicamente. Há uma deformação tridimensional das vértebras, que se torcem ao longo de uma espiral, ocasionando rotação e deformação da coluna e costelas, formando um abaulamento nas costas chamado de giba.

TIPOS:

Idiopática: é a mais comum, normalmente ocorre nas meninas durante a fase da adolescência. Algumas teorias tentam explicar seu desenvolvimento, como predisposição hormonal, óssea e muscular, porém não se sabe ao certo sua origem, mas parece haver carga genética envolvida.

Neuromuscular: lesões neurológicas como trauma raquimedular, paralisia cerebral e doenças musculares (distrofias) predispõem ao aparecimento da escoliose, uma vez que há alteração da força muscular que age sobre a coluna, ocasionando sua deformação.

Síndromes: doenças que envolvem alteração do colágeno, responsável pela formação óssea, ligamentar e articular, podem agir sobre a coluna, causando sua deformação. Exemplo: síndrome de Marfan, Neurofibromatose.

Congênitas: são escolioses que decorrem de má formação vertebral.

Degenerativa: escoliose caracterizada por instabilidade da coluna a partir de transtornos discais e osteoartrose, acomete principalmente a lombar, sendo mais sintomática a partir da sexta década de vida.

QUADRO CLÍNICO:

A escoliose mais comum, idiopática do adolescente, é mais comum em meninas, e geralmente é percebida durante educação física ou piscina, por apresentar desbalanço de ombros, ou abaulamentos nas costas, ou quando a adolescente se abaixa deixando evidente a giba dorsal (sinal de ADAMS).
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Tem como fator de progressão o estirão de crescimento, e raramente está associada a quadro de dor local. Estes pacientes devem ser seguidos de perto, pois detectada a possibilidade de gravidade da curva, devem ser tratados cirurgicamente em momento oportuno, de forma a garantir melhor resultado funcional e estético.

A gravidade da escoliose está ligada ao grau da curva medida pelo ângulo de Cobb, potencial de crescimento e anomalias da curva. Portanto é fundamental checar o grau de maturidade esquelética (ausência de menstruação e caracteres sexuais secundários e RISSER baixo indicam alto potencial de crescimento!), pois, quanto mais jovem, maior a possibilidade de progressão da curva.
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Determinar a agressividade da escoliose é importante uma vez que curvas progressivas podem levar a deformidade estética e funcional incapacitante e ,em casos mais avançados, evoluir com restrição da expansão pulmonar, causando distúrbios respiratórios.

A escoliose degenerativa, por estar associada a osteoartrose e hérnia discal, normalmente aparece com dor, podendo em casos mais extremos causar um desvio do eixo da coluna para frente ou para os lados, debilitando funcionalmente o paciente.

EXAMES:

Raio-X panorâmico: normalmente é suficiente para diagnosticar a escoliose. Utilizamos RX com inclinações laterais para identificar a flexibilidade da curva. Através do RX podemos fazer as medidas das curvas, observar sinais de maturidade óssea (que predizem o potencial de crescimento) e identificar má-formações.
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Tomografia computadorizada: utilizada para reconstruir as imagens da coluna para melhor entendimento da deformidade, auxiliando o planejamento cirúrgico e facilitando a executa da cirurgia. Com ela podemos estudar má-formações, medir tamanhos das vértebras e suas estruturas, adequando tamanho dos dispositivos (parafusos) a serem implantadas.

Ressonância Magnética: identifica má-formação intramedular, compressão de estruturas neurais. Útil no planejamento cirúrgico especialmente de escoliose degenerativa.

TRATAMENTO:

Baseamos em alguns fatores para definir o tratamento da escoliose:

  • Ângulo de Cobb: ângulos superiores a 40 graus tem tendência a progressão
  • Idade do diagnóstico/potencial de crescimento: curvas em pacientes esqueleticamente imaturos tem potencial de progressão.
  • Doenças associadas: pacientes com doença neurológica (paralisia cerebral)

Ângulo de Cobb

Tratamentos Clínicos

Métodos como reeducação postural global (RPG), quiropraxia, osteopatia, fisioterapia, pilates, exercícios de fortalecimento (natação), não são formas de correção e estabilização de escoliose, porém tem impacto positivo na atenuação de sintomas musculares, dores irradiadas e desconfortos causados por desvios posturais ou escolioses leves sem indicação cirúrgica.

Os coletes (órteses), tem aplicação em curvas leves (20 a 40 graus) em pacientes em fase de crescimento. Há discussão quanto a sua verdadeira eficiência, porém ainda são utilizadas. O que norteia seu uso é restringir a evolução da curva durante o estirão do paciente.
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Cirurgias

A cirurgia tradicional para escoliose é a artrodese por via posterior, procedimento definitivo para correção possível das curvas e fusão das vértebras envolvidas na deformidade. Como efeito secundário, há bloqueio do crescimento ósseo e restrição parcial de mobilidade. Portanto, idealmente o procedimento é mais indicado para pacientes com curvas acima de 40 graus, na fase final da maturação óssea.
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Osteotomias: cirurgias que consistem em ressecar parcial ou totalmente uma ou mais vértebras para conseguir corrigir ou diminuir a gravidade de uma curva, ou a má-formação da vértebra. Normalmente associada a artrodese.

Estabilização Provisória: Cirurgias com intuito de tentar diminuir a progressão de curvas potencialmente agressivas em pacientes com esqueleto imaturo, porém, sem fundí-las, Isto é, uma forma temporária e invasiva de contenção da progressão da escoliose, sem fusão óssea, permitindo o crescimento da coluna. Normalmente são necessárias abordagens sequenciais durante o crescimento do paciente até chegar em idade óssea adequada, quando a artrodese é realizada. Exemplos: VEPTR, Growing-Rod.

Vepter

Growing rod